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Para Além do Jubileu
Os Problemas Econômicos Mundiais para o Novo
Milênio apontados pela Comissão de Justiça das Irmãs de Santa Cruz
e pela Comissão Santa Cruz Internacional pela Justiça
Um Fim...e um Começo
Durante o tempo do Jubileu, alguns movimentos de
justiça econômica mundial fizeram progressos notáveis! Mais de 24
milhões de pessoas, vindas de 166 países, reuniram-se para pedir a
anulação da dívida para os países mais pobres do mundo. Juntos,
reformaram a opinião pública relativa à dívida dos países do
terceiro mundo e conseguiram efetuar mudanças substantivas.
-
No final de dezembro 2000, 22 países receberam
algum alívio: aproximadamente 30 por cento de suas dívidas
serão anulados nos próximos 5 anos.
-
O Banco Mundial e o FMI aceitaram maior
transparência no seu funcionamento e maior responsabilidade em
suas políticas.
-
Os governos dos países endividados serão mais
responsáveis no emprego dos seus empréstimos e de suas
subvenções. Desde já, a sociedade civil e as ONGs reforçaram
as suas ações no sentido de reduzirem a corrupção e os abusos
de fundos.
Além disso, a reunião da OMC em Seattle,
Washington, mobilizou toda uma coalizão de ativistas, sindicatos,
ecologistas e crentes. Opunham-se ao “livre comércio”, aos seus
efeitos nocivos tanto para as pessoas como para o meio-ambiente. Com
isso, os habitantes do Norte e do Sul encontraram uma nova
solidariedade, trabalhando para o fim comum da justiça econômica.
Esses ganhos dão-nos vontade de celebrar. Resta, todavia, muita coisa
ainda por fazer. Terminado o ano jubilar, continua a tarefa de criar-se
`uma justiça jubilar´. A luta por relações mais justas, pela
libertação dos cativos, para a anulação das dívidas, para
devolver a terra a quem de direito, continua no Novo Milênio.
As tarefas do futuro
Anular a dívida
A anulação da dívida é, sem dúvida, a primeira
etapa. Muitos países, em via de desenvolvimento, principalmente na
África ao sul do Saara, continuam na obrigação de gastarem mais
para o reembolso do que para a saúde e a educação dos seus povos.
Nesses países tão pobres, a má nutrição e a mortalidade infantil
atingem um número exorbitante, algo em volta de 19.000 por dia.
Para remediar esses problemas, a anulação da
dívida deve dar-se:
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mais rapidamente ( que os credores não possam
exigir dos países pobres pagamentos imediatos)
-
mais profundamente ( que os credores, entre
eles o FMI e o Banco Mundial, perdoem, em cem por cento, a dívida
dos países mais pobres)
-
mais largamente ( que os países de renda
média, como o Haiti, Bangladesh, Peru possam candidatar-se à
anulação da dívida)
-
mais equitativamente ( que as iniciativas para
a anulação sejam liberadas do controle dos credores)
A anulação da dívida é essencial para reajustar
as relações econômicas mundiais. Essas iniciativas, todavia, não
são suficientes para restabelecer a Justiça do Jubileu. Importa que
a economia mundial seja reestruturada e que essa reestruturação leve
a grandes mudanças :
“Humanizar” o Comércio
Nesta época de globalização acelerada, nenhum
país pode ou deve sentir-se isolado economicamente. Mas a
orientação para a globalização do “livre comércio” expressa
pelo NAFTA ( Livre comércio na América do Norte), pela ALCA ( Livre
Comércio nas Américas) e Africa Growth and Opportunity Act, não
é nem inevitável nem aceitável do ponto de vista da justiça. O
livre comércio mundial, sem restrições, conduz a uma maior
competição, fato que força as companhias a reduzirem os custos da
produção. Isso se consegue, normalmente, com a redução dos
direitos dos operários, comprometendo a segurança humana, assim como
a proteção do meio-ambiente.
O “livre comércio” é tudo menos livre. Com
efeito, a experiência dos tratados baseados nas decisões do NAFTA ou
do OMC ( Organização Mundial do Comércio) faz-nos ver que o custo
do “livre comércio” é economicamente muito elevado. O “livre
comércio” faz sentir o seu peso, antes de tudo, sobre o operário,
sobre os direitos humanos, sobre a saúde dos povos e da terra.
No estado
de Massachusetts ( EE.UU.), uma lei que impôs sanções
econômicas sobre Myanmar (Burma) por violação dos direitos
humanos foi questionada no OMC pelo Japão e pela União Européia.
Alega-se que essa lei viola um regulamento do OMC que contempla os
acordos governamentais baseados exclusivamente sobre critérios
econômicos, sem nenhuma consideração pelos critérios sociais
ou políticos. Se o Massachusetts perder essa causa, os governos
não poderão mais promover os direitos humanos através de
sanções econômicas.
NAFTA - o estilo dos seus acordos leva à
instabilidade do emprego, à redução dos salários, à baixa dos
valores do trabalho nos países desenvolvidos assim como nos países
em vias de desenvolvimento. Nos EEUU, o NAFTA prometeu criar
200.000 novos empregos por ano, mas isso ainda não se realizou.
Segundo estatísticas do Departamento do Trabalho americano, 263.000
pessoas perderam os seus empregos por causa do tratado. A pobreza no
México sofreu uma alta de 60% na mão de obra - os salários
diminuíram 29%, enquanto se multiplicaram os empregos em maquiladoras,
onde os salários são maus, bem como as condições de trabalho.
Os acordos de “livre comércio” derrubam as
proteções ecológicas e a soberania nacional. Em 1997, o
Canadá interditou a importação/transporte de gasolina contendo
MMT, cujo elemento primário é um tóxico bem conhecido. A
corporação Ethil acionou o governo canadense por um montante de
$250 milhões sob o NAFTA, sustentando que essa lei acabava com
benefícios substanciais. O governo canadense pagou à Ethil $13
milhões por prejuízos acumulados - e abrogou a lei, colocando em
risco a saúde das pessoas e a ecologia.
Salvaguardar a Terra
Fica cada vez mais claro que a terra não pode
suportar o peso da economia de “livre comércio”. Em todas as
partes do mundo a economia está estressada, as florestas diminuem, os
mares estão superpescados e a terra, a água e o ar estão
envenenados por elementos químicos e resíduos disseminados pelas
estradas. A própria vida no planeta é posta em perigo pelos lucros
corporativos. O único meio de restaurar e manter uma ecologia sã é
reduzir o impacto humano sobre o planeta. Os campeões da economia
neoliberal, todavia, continuam insistindo na necessidade de uma
produção e de um lucro que atinja o máximo, acompanhado por um
desenvolvimento desenfreado, tudo isso sem nenhuma consideração pelo
preço, em termos de vida, seja humana, seja outra. O “livre
comércio” cria uma situação intolerável para o planeta e para as
pessoas que o habitam.
Em Andhhra Pradesh, na Ìndia, os camponeses produziam alimentos
para a população local. Certas companhias de grãos as
persuadiram a produzirem algodão para a exportação, à base de
sementes muito caras e não reprodutivas. Os híbridos são
extremamente vulneráveis e para sobreviverem carecem de níveis
extraordinários de pesticidas custosos. Por causa disso, os
sitiantes endividaram-se tanto que acabaram usando os pesticidas
para darem cabo de suas vidas.
A desregulamentação dos produtos do “livre
comércio” aprova produtos que ameaçam a ` biodiversidade´ e a
segurança pública. A produção de organismos geneticamente
modificados (OGM) é uma indústria que custa bilhões de dólares.
As pesquisas recentes indicam, todavia, que os OGM são perigosos
para a ecologia e para a saúde humana. As colheitas que são
manipuladas artificialmente para resistirem aos herbicidas podem
transmitir essa resistência às ervas daninhas, o que não fará
senão aumentar a necessidade de produtos químicos. Quando
eliminamos as ervas daninhas e os insetos, colocamos em perigo as
espécies que dela dependem e assim perturbamos o equilíbrio
ecológico. Os OMG ameaçam também os homens e as mulheres que são
alérgicas e ingerem, sem se darem conta, genes transplantados
nefastos. Sem embargo, a indústria biotécnica resiste, a todo
custo, a colocarem etiquetas que identifiquem os produtos OMG.
As corporações praticam a “bio-pirataria” e
exploram os recursos naturais e o saber tradicional dos povos
indígenas. Recusa-se, já há muito tempo, qualquer
compensação financeira aos povos do Sul mundial pela exploração
dos seus recursos naturais. A pirataria e a proteção por patente
desse saber indígena são duplamente ofensivas, pois, isso
significa que o povo deve pagar pelo uso dos grãos e dos
medicamentos que eles mesmos desenvolveram. Os exemplos de “biopirataria”
abundam. Uma certa erva medicinal tailandesa, Plao Noi, foi
patenteada por uma companhia japonesa e os tailandeses perderam o
seu direito de venda. A Universidade de Wisconcin patenteou os genes
de uma planta suculenta proveniente da África Ocidental. Como
conseqüência, é muito provável que os produtos artificialmente
manipulados prejudiquem os mercados dos produtores tradicionais de
açúcar natural. Além disso, uma companhia dos EEUU acionou
legalmente os exportadores de feijão, pretendendo que o feijão
semeado há gerações por camponeses mexicanos atropela o seu
próprio monopólio patenteado.
O EVANGELHO
E
O NOSSO ENGAJAMENTO COMUNITÁRIO PELA JUSTIÇA
NOS CONVOCAM À AÇÃO
O que , então, haveremos de fazer?
Acrescentar o nosso nome na carta de todas as
congregações de Santa Cruz endereçada ao World Bank/IFM ( Banco
Mundial) pedindo a anulação imediata da dívida.
A carta encontra-se na Internet: www.holycrossjustice.org
- Por favor assinar antes de 21 de abril, antes da reunião do World
Bank/IMF
Engajar-se na campanha para tornar as corporações
americanas e canadenses mais responsáveis em suas ações mundiais, pondo-se
em contacto com “International Right to Know” - na Internet:
www.irk.org
e “Canadian Catholic Organization for Development and Peace” -
www.devp.org
(clique “current campaign.”)
Pôr-se a par dos problemas econômicos e das
ações a serem empreendidas, assinando a carta trimestral de “Holy
Cross Global Economic Justice Network.”
Escreva para:
Sisters of Holy Cross Congregation Justice Coordinator
400 Bertrand Annex,
St. Mary’s,
Notre Dame, Indiana 46556-5018
(219)-284-5303 ou
ann@cscsisters.org
Fazer parte de “Earth Charter Initiative”(www@earthcharter.org)
- trata-se de um movimento mundial que se compromete a promover
mudanças para conduzir-nos a um futuro mais favorável à ecologia.
Discutir “Earth Charter” e suas implicações na sua comunidade e
encorajar os seus amigos e colegas a apoiarem-na na Internet: www.earthcharter.org
Divulgar a sua experiência sobre o impacto da
globalização econômica e o “livre comércio” no seu ambiente
local - fazendo-a chegar à Comissão Internacional de Santa Cruz pela
Justiça. Essas informações serão enviadas à internet HCIJO
para informar a família Santa Cruz sobre a situação vigente na sua
área.
Convidar os membros da sua comunidade a
participarem do trabalho pela justiça econômica. Partilhar o
boletim com amigos/as, colegas e grupos comunitários. Solicitar que o
distribuam no seu meio, na sua rede de amigos e conhecidos. Juntos,
escrever cartas e artigos para os jornais, pressionar os
representantes eleitos, promover debates públicos relativos aos
problemas assinalados no boletim.
Aguardar atentamente - haverá outras informações
em breve no boletim “HCIJO”...
Fontes de Informações
Justice USA Network
222 East Capitol Street
Washington, DC 20003-1036, USA
Telefone: (202) 783-3566
E-mail: Coord@200usa.org
www.j2000usa.org
Jubilee South
c/o FDC Philippines
34 Matiyaga Street
Central District, Quezon City, Philippines
Telefone: (632)921-1985
E-mail: jubileesouth@skynet.net
www.jubileesouth.net
Commun Frontiers
15 Gervais Drive, Suite 305,
Don Mills, Ontario, M3C 1Y8 Canada
Telefone: (416) 443-9244
E-mail: comfront@web.ca
www.web.net/comfront
Global Trade Watch
215 Pennsylvania Avenue S.E
Washington, DC 20003, USA
Telefone: (202) 546-4996
E-mail: gtwinfo@citizen.org
www.tradewatch.org
Friends of the Earth International
P>O> Box19199, 1000GD
Amsterdam, The Netherlands
Telefone: +31-20-62211369
E-mail: foei@foei.org
www.foei.org
Ecological Debt Campaign
Contact Friends of the Earth International ou
Acción Ecológica
Alejandro de Valdez N24-33 e La Gasca
Casilla 17-15-246C, Ecuador
Telefone: 593-2-547516 / 527583
E-mail: institut@hoy.net
www.ecuanex.net./accion/
Third World Network
228 Macalister Road
10400 Penang, Malaysia
Telefone: 60-4-2266728
E-mail: twn@igc.apc.org
www.twnside.org.sg
Para maiores informações, consulte
Congregation Justice Committee
Sisters of the Holy Cross
400 Bertrand Annex - Saint Mary’s
Notre Dame, IN 46556-5018, USA
Telephone: (219) 284-5991
E-mail: ann@cscsisters.org
www.cscsisters.org
Holy Cross International Justice Office
403 Bertrand Annex - Saint Mary’s
Notre Dame, IN 46556-5018, USA
Telephone: (219) 284-5366
E-mail: mturgi@igc.org
www.holycrossjustice.org
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